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RESUMO | Marketing político digital

RESUMO | Marketing político digital

Falar de política não é mais um tabu para nós brasileiros. As manifestações ocorridas nos últimos anos mudaram o pensamento da sociedade e o jeito de debater a política brasileira. Mas, um fator importante para essa mudança cultural e comportamental foi o uso da comunicação digital e das redes sociais, principalmente por sua característica conectiva e colaborativa. Hoje o Brasil tem mais de 100.000.000 (cem milhões) de usuários no Facebook.

Esse assunto foi tema de muita discussão no evento Confirma, promovido pela Share Eventos e realizado em Brasília no último dia 10 de julho. O encontro teve a presença dos palestrantes Paulo Renato (SMED Porto Alegre), Renato Rosa (PUCRS e UniCEUB), Saulo Angelo (Heads Propaganda), Eden Wiedemman (Cumbuca), Bruno Scartozzoni (Caldinas), Alexandre Secco (Medialogue Digital) e do senador João Capiberibe.

O início do evento foi contemplado com a palestra do cientista político Paulo Renato. Assistir a palestra dele trouxe uma reflexão sobre a característica da conectividade digital. Se uma pessoa influencia a outra, que influencia mais outra e gera uma rede, quem geralmente são essas pessoas que iniciam o movimento? E por que?

Acredito que essas interações podem acontecer de duas formas, uma proposital e outra sem querer. A proposital é iniciada quando um ator social digital, o chamado influenciador digital, inicia uma campanha na internet e promove o buzz na rede. A outra forma é quando o assunto é de tanta relevância e interesse da sociedade que ele surge em vários cantos do país e se une em um determinado momento.

“Os partidos políticos são estruturas arcaicas e burocráticas. Um sistema político antigo e desconectado não sobrevive hoje” Paulo Renato.

Agora, se o digital pode mesmo fazer a diferença no mundo político, imagina que interessante seria se o povo tivesse realmente voz e representação no Congresso Nacional por meio de uma plataforma 100% online. Essa foi a ideia da argentina Pia Mancini. Ela foi a idealizadora do DemocracyOS, uma plataforma digital que tinha como objetivo ouvir a população argentina nos projetos e propostas debatidas por seus governantes.

A plataforma infelizmente não foi aceita pelos políticos argentinos, então ela decidiu criar o Partido De La Red. Não conhece o partido, assista o vídeo, vale muito a pena!

O que fazer no Marketing Político Digital?

– Conheça o seu candidato. Conviva dias, semanas ou até meses com ele e descubra os pontos fortes, fracos e o que será importante para a campanha;
– Crie uma base de militância virtual fiel e influenciadora (Comitê Digital);
– Ensine ao Comitê Digital como se comportar nas redes sociais;
– Ofereça incentivos e motivações aos militantes do Comitê Digital;
– Reúna os apoiadores digitais em webinários e chats com o candidato;
– Aproxime o candidato da população. Não diga “eu fiz isso”, diga “esse feito é para vocês”.
– Fale em primeira pessoa. Indiretas fazem parte do processo;
– Pesquise tendências e assuntos do momento. Analise, cruze os dados e aja;
– Não fale como político. Melhor do que convencer alguém é deixar as pessoas falarem por você;
– Escreva para todos. Saia do politiquês. PEC? PL? Emenda? As pessoas não conhecem muito esses termos, evite;
– Além das pautas quentes e agendas, procure postar coisas mais sentimentais e, principalmente, serviços para a população;
– Lembre-se: quanto maior for a relevância da informação, menor será a agressão nas redes sociais;
– Fale com pessoas certas e construa conteúdos eficientes;
– Pessoas não são perfis (dados demográficos) elas são comportamentos (dados psicográficos) e esses comportamentos mudam a cada minuto;
– Quanto maior o alcance, maior será a credibilidade e, consequentemente, maior será a relevância das publicações;
– A melhor forma de hackear o alcance do Facebook é montando uma militância engajada e sólida;
– Causas são maiores do que candidatos.

Quais são as tendências para as próximas eleições?

Que o digital ganhou espaço no mundo político, isso já vimos. Campanhas como a reeleição de Barack Obama girou mais de US$ 7 bilhões. No Brasil, a presidente afastada, Dilma Rousseff, investiu mais de R$ 300 milhões na campanha de 2014, 13% a mais do que na primeira eleição em 2010.

Porém, decifrar as novas tendências para o mercado digital no meio político ainda é uma incerteza. Alguns apostam no Whatsapp, outros se arriscam no Snapchat, que se usado de forma exata pode ser uma ótima ferramenta de comunicação com o mundo digital.

Eden Wiedemman, da agência Cumbuca, está a anos trabalhando com o marketing político no mundo digital e ainda não consegue dar certeza se 2016 será o ano do digital. Mas, as mudanças na legislação eleitoral dão a entender que cada vez mais a internet será utilizada para campanhas políticas.

Mas, engana-se quem pensa que a comunicação digital é barata. Wiedemman conta que, por trás de ações de marketing nas redes sociais está uma grande equipe composta por planners, publicitários, designers, redatores, jornalistas, produtores, editores e muitos outros profissionais de comunicação.

Paulo Renato lista que as tendências para as próximas campanhas são:

– Ter um propósito;
– Buscar grandes causas;
– Trabalhar com cruzamento de dados e resultados (Big Data);
– Utilizar a ciência a favor da campanha (política, comunicação, antropologia, sociologia);
– Participar em tempo real (Facebook Live e Periscope);
– Mudar o Sistema Político.

About the Author
Felipe Chaves

Formado em Comunicação Organizacional pela Universidade de Brasília e pós-graduando em Marketing e Gestão pelo IESB, Felipe Chaves atuou por 2 anos no Movimento Empresa Júnior como Diretor de Marketing da Facto - Agência de Comunicação e Coordenador de Relações Institucionais da Federação de Empresas Juniores do DF. Hoje é sócio da Agência CH4 e se considera um empreendedor serial. Tem como propósito de vida impactar a sociedade por meio do empreendedorismo.

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